Um dos cuidados que a mulher deve tomar ao praticar esportes é com o suporte adequado para os seios, para evitar dores e incômodos. Embora o visual dos tops seja importante, o fundamental é que sejam confortáveis, acompanhando as dimensões do corpo. Produtos que utilizam tabela de medidas padronizada, relacionando os tamanhos com as medidas da mulher, facilitam bastante o processo de escolha. O ideal é ficar de olho nas embalagens para escolher o tamanho correto.
O modelo estruturado ajustável é melhor que o de compressão, pois minimiza o balanço dos seios durante as atividades. A modelagem deve combinar tecidos sem elasticidade na parte frontal e interna e tecidos elásticos nas laterais (costas). Uma atenção especial à faixa inferior, que não deve ser muito justa nem muito solta, também é recomendada. A elasticidade deve ser horizontal, pois a vertical não limita o balanço dos seios, e seu tecido não deve ser muito justo nem estar em contato com a pele, o que prejudicaria no quesito conforto. Para as costas, modelagem em X ou nadador são as melhores.
A compressão confortável é outro ponto importante. Um tecido leve, compacto e com boa respirabilidade é sempre a melhor opção. Um erro comum é confundir sustentação com compressão, buscando o top que mais aperte as mamas, mas isso pode causar muita dor e desconforto. A sustentação adequada vem da combinação de modelagem apropriada, na maioria das vezes com baixo nível de elasticidade, e tamanho correto. Evite ao máximo tecidos grosseiros e pesados, assim como modelos com bojos, que criam obstáculos à respiração e geram calor durante os exercícios.
Quanto maior o busto e mais intensa a atividade, maior a necessidade de sustentação. Dependendo da atividade, o top deve ter painéis de ventilação para evaporação do suor, minimizando o efeito úmido colante, que irrita a pele, principalmente os seios, onde há grande acúmulo de água. A ventilação é feita preferencialmente com tecidos porosos ou vazados.
O tecido deve ser de toque agradável, respirável e não irritar a pele. Não pode desenvolver cheiro, provocado pela proliferação de bactérias a partir do suor. Os tecidos com efeito iFit (ajusta sem apertar) são os mais indicados. Para conforto, prefira a poliamida com efeito bacteriostático. Uma excelente indicação é combinar os tecidos Acquos® e Leggerissimo Pro®, da Santaconstancia.
Antes de comprar qualquer top esportivo, experimente e se possível, teste o nível de sustentação, se é adequado para a prática esportiva desejada.
Resultados
As variáveis impactantes no desconforto da mama durante a prática da corrida são: dor miofascial, oscilação da mama, troca de calor, atrito e ardor.
Estudo do impacto da corrida no desconforto da mama feminina.
O iTop® foi um projeto desenvolvido para o estudo e entendimento dos fatores de impacto da prática esportiva no desconforto das mamas femininas. Em uma primeira fase foi realizado o levantamento das queixas mais comuns em relação às medidas dimensionais e volumétricas das participantes e sobre o uso do suporte específico para as mamas das corredoras assíduas de São Paulo. Na segunda fase, o iTop® concentrou-se na avaliação das diferentes variáveis previamente relacionadas (oscilação da mama, dor miofascial, atrito mama-top, troca térmica, parâmetros cárdio-respiratórios) com o uso de diferentes tipos de peças de sustentação das mamas durante a corrida. A partir da análise dos resultados colhidos neste estudo, pôde-se constatar que os tops de sustentação podem influenciar na ocorrência de dor miofascial, no músculo trapézio, nas abrasões e irritações da pele e nos mamilos, na oscilação do movimento das mamas e na troca de calor com o meio ambiente quando da corrida feminina.
Dois aspectos também avaliados, mas que não evidenciaram influência significante dos diferentes tops, foram a função respiratória e o consumo de oxigênio no esforço submáximo.
Metodologia
Um questionário direto qualitativo foi realizado com mulheres atletas, praticantes de corrida com regularidade frequente, residentes na cidade de São Paulo, verificando dados biométricos e demográficos, relação com a atividade esportiva e desconfortos provenientes da corrida. Com isso, o iTop® determinou o perfil de público, caracterizando a amostra pesquisada e verificando correlações para posterior estudo de possibilidades. Foram realizados a seguir os testes comparativos com diferentes tops de sustentação para análise das diferentes variáveis relacionadas: oscilação da mama, troca térmica, dor miofascial, atrito e abrasão, função respiratória e consumo de oxigênio no esforço submáximo. Em virtude de dificuldades práticas para realização do exercício sem o uso de top de sustentação (mamas livres), o estudo adotou o sutiã sem costura, não esportivo, como controle e comparação mais fidedigna à situação inicialmente proposta. Após testes preliminares de sua ação de contenção de movimento, retenção de calor, indução ao atrito e alteração de sensibilidade, além de influência nas variáveis cárdio-respiratórias durante a corrida, foram comparados nas mesmas situações biomecânicas das mesmas corredoras sob mesmas condições ambientais de umidade relativa do ar e temperatura ambiente, com os modelos de sutiã esportivo e top esportivo, tecnicamente reconhecidos no mercado especializado e adquiridos conforme as medidas específicas das voluntárias.
Dinâmica do Movimento
A oscilação da mama foi relatada como fator de desconforto durante o exercício, tanto pela sensação de aceleração quanto pela relação com outros itens relatados (atrito, dor, estética etc.).
A movimentação da mama é indicada com base num ponto fixo no mamilo (C) em relação a outros dois pontos, um no próprio corpo (A) e outro ponto fixo externo (P). Foram analisados os movimentos em três eixos/dimensões da mama, através da filmagem dinâmica de marcadores referenciais em duas posições de câmera, frontal e lateral (altura H).
O movimento da mama é atenuado com o uso de suporte, não apresentando alteração significativa no desenho do traçado do ponto de referência com os diferentes suportes testados.
O resultado do uso dos suportes específicos testados em relação à contenção do movimento foi positivo em todas as variáveis direcionais.
Troca de calor
A corrida é uma atividade de alta geração de calor e que exige uma perfeita dissipação deste para manutenção do equilíbrio térmico. Os tecidos utilizados na fabricação dos suportes das mamas exerce uma função importante em relação à sensação de conforto térmico, assim como de segurança psicológica. Para observação do comportamento térmico e influência dos diferentes tipos de tecidos na temperatura corporal, foram realizadas ao longo dos testes filmagens com câmera termográfica para avaliação das diferenças de temperatura em relação ao corpo e tecido. Embora o top esportivo tenha apresentado melhores resultados, quando da análise da variável da oscilação das mamas demonstrou indícios de maior dificuldade no controle da troca térmica. Observou-se em vivo a importância do equilíbrio necessário entre modelagem adequada e um tecido que permita à pele exercer suas funções de troca térmica nas atividades de alto impacto e produção de calor, como é a corrida.
Após o término do teste, as voluntárias foram questionadas diretamente sobre características de sensibilidade pessoal relativas aos suportes testados, verificando adequação do tecido e de sua construção ao uso para prática esportiva segundo sua percepção pessoal, sem considerar comparação entre os modelos. Entre os comentários apontados destacamos diferentes respostas como excessiva transparência, sustentação inadequada, desagrado estético, difícil ajuste, sensação de aperto e sensação de calor.
Dor Miofascial
A síndrome dolorosa miofascial (SDM) é uma das causas mais comuns de dor músculo-esquelética: é uma condição dolorosa regional caracterizada pela ocorrência de bandas musculares tensas, nas quais se identificam áreas hipersensíveis, os pontos gatilho (PG) - que estimulados por palpação digital geram dor localmente, à distância ou dor referida.
O estudo foi focado no trapézio, por ser o músculo com maior incidência de dor miofascial, responsável pela movimentação e estabilização da escápula e pela extensão das colunas cervical e torácica, além de sua relação com o apoio das alças e da facilidade técnica de mensuração.
Em todos os suportes analisados, o ponto B apresentou maior variação no limiar de dor entre os exames pré e pós corrida, indicando potencial associação com desconforto pela prática de corrida.
Ficou evidente neste estudo que o uso de suportes esportivos apresenta significativa diminuição na sensibilização à dor em todos os pontos estudados, sendo que o impacto foi maior e mais marcante no ponto C. O top esportivo apresentou resultado significativamente melhor que o sutiã esportivo na atenuação da dor miofascial após a prática da corrida.
Achados dermatológicos (atrito/abrasão)
As participantes foram orientadas a permanecer 2 horas sem top ou sutiã, para eliminar marcas na pele, e submetidas a exame clínico dermatológico para classificação quanto ao fototipo e detecção de lesões pré-existentes no local de contato com os tops em estudo.
Foram obtidas 6 fotografias de cada uma das voluntárias com o dorso nu, antes da colocação do top e imediatamente após a corrida. As imagens foram analisadas por um dermatologista, que avaliou a eventual presença de eritema nos locais de atrito dos tops para considerar a presença de alterações dermatológicas na pele.
Todos os suportes em estudo apresentaram evidências de eritema nos ombros, ao redor do torax, próximo da mama e ou trapézio com variáveis intensidades nas distintas topografias. Confirmamos a importância da interação equipamento-corpo na gênese de desconfortos relacionados com o atrito.
Função cardio respiratória
Foram medidas a alteração na capacidade pulmonar e as frequências respiratória e cardíaca durante a prática de exercício. Mesmo com algumas voluntárias relatando alteração na percepção de “pressão” da caixa torácica com o uso de alguns suportes mais estruturados, os testes realizados em repouso e com trinta minutos de corrida não indicaram mudanças significativas nas variáveis metabólicas e ventilatórias das atletas relacionadas com o uso de nenhum dos suportes testados, não permitindo apontar situação preferencial de uso de suporte em relação aos parâmetros fisiológicos.