Constanza Pascolato

Costanza Pascolato
13/janeiro/2012

ENTRE NESSA FESTA

As party girls poderão respirar aliviadas no próximo verão europeu. Dois extraordinários nomes da nova geração – Peter Dundas para a Pucci e o novo darling Olivier Rousteing, para a Balmain – vão defender a qualidade do design sexy. As duas grifes reconhecidamente conversam em linha direta com uma elite de jovens de sensualidade incandescente, glamour iconoclasta e nenhum compromisso com tradições. É uma maneira chique de viver, mas que despreza tudo o que é old fashion, “embolorado”. Tem um estilo “meio rock” sem ser obviamente rock’n’roll. Elas vestem roupas de subversão maliciosa – com silhuetas reveladoras, de pegada rica, ultradecorativa e exuberante – e calculada indiferença pelo decoro e pelas convenções. A mensagem é de um lifestyle generoso, com indisfarçável preferência pelo divertimento, que encoraja uma atitude “abra suas asas, entre nessa festa”!

Peter Dundas é diretor artístico da Emilio Pucci desde 2008 e vem injetando um espírito jovial e luxuosamente dark, com notável rejuvenescimento da marca. Declara não ser um estilista cerebral e confessa que, para ele, o sex appeal é o principal guia na hora de criar uma coleção. O norueguês identifica na Pucci uma celebração da liberdade que tanto admira, além de representar um tipo de glamour que ele pretende conservar e desenvolver com sua linguagem contemporânea. Para o verão 2012, resolveu trabalhar com o tema “cigana sexy”, traduzido em vestidos e duas-peças fluidos que deixam a barriga de fora, assim como em vestidos/lingerie com sensacionais e estratégicos recortes delineando a silhueta, intercalando renda e tecido com a icônica estampa da casa.

Quase desconhecido, Olivier Rousteing, 26 anos, é o novo estilista sensação da Balmain. Ele desfilou sua primeira coleção em Paris em setembro último, sob os olhares atentos do establishment de moda mais exigente do planeta. Conseguiu restabelecer a credibilidade e o brilho da maison após a partida inesperada de seu antecessor, Christophe Decarnin, do qual foi assistente. Com um mix de referências aparentemente incompatíveis – Las Vegas, México, caubóis e toureiros –, Rousteing criou uma coleção de grande classe e frescor. A precisão do corte, o intenso trabalho de bordado e adorno que mantêm a linha sem nunca cair no vulgar e a atitude próxima do streetwear conquistaram a preferência de uma nova geração – a dele –, que agora se mostra a favor de uma extraordinária, incomum e exuberante maneira de ornamentar as roupas. “Quis respeitar a tradição de alta-costura da maison Balmain e ressaltar a contribuição de Oscar de la Renta para a marca, além de olhar para o trabalho de Nudie Cohn, designer das roupas impetuosamente kitsch dos cantores de country dos anos 60”, explicou.

Talvez não seja por acaso que os dois grandes expoentes do sexy-chic do momento tenham trabalhado juntos no ateliê de um dos precursores do gênero. Olivier Rousteing foi assistente de Peter Dundas quando o designer trabalhou com Roberto Cavalli em Florença. Ao lado de Gianni Versace, Cavalli foi o divulgador da superabundante ornamentação e sensualidade na moda dos anos 90. Dundas e Rousteing parecem ser sucessores respeitáveis e merecedores, desenvolvendo, cada um, uma promissora voz pessoal.

Foto 1: A cigana sexy de Peter Dundas para a Pucci.
Foto 2: O mix de referências kitsch que passa longe do vulgar da nova Balmain.

Revista Vogue Brasil nº 401 – janeiro 2012 - Glamour em Foco

Costanza Pascolato
Costanza Pascolato
09/dezembro/2011

REVOLUÇÃO NOSTÁLGICA

Difícil não perceber a nostalgia como o fio condutor de algumas das coleções mais bem-sucedidas do verão – o nosso que já está quase no fim, e o europeu que ainda nem começou. Marcas como Alexandre Herchcovitch, Prada, Christopher Kane e Louis Vuitton, entre outras, resgataram o requinte na maneira de fazer a roupa e tudo o que provoca joie de vivre ao se vestir. Afinal, o que parece de pouca importância ou frívolo para alguns é exatamente o que faz rolar solto o prazer da confortante relação íntima entre você e sua roupa, num elo emocional que sempre seduz.

Adoro a ideia de que a próxima estação será neonostálgica, em especial pelo requinte e pela releitura de grandes momentos da moda. Nostálgica sim, mas sem ser vintage. Isso porque cada época é diferente e única em suas características e circunstâncias – e o que foi “melhor” ontem pode não passar de mera ilusão, a menos que ganhe musculatura através de releituras sofisticadas. Como a maneira subversiva de se vestir há muito deixou de ser bacana, a nostalgia, esse sentimento agridoce parcialmente desconhecido das novas gerações, substitui a rebeldia contracultural para ser um luxo, além de importante moeda que sofistica reinterpretações.

Nas novíssimas coleções, o delicado saudosismo começa em volumes e silhuetas. Mas ele nunca é literal. E nem de longe antiquado. A diferença vem do competente olhar de estilistas para os quais o passado é combustível para a elaboração do novo, full speed para o futuro. Na ciranda da moda, esse novo romantismo nostálgico e ornamental estreia sugerindo uma reação ao impacto influente e crescente do uso da tecnologia. A experiência da total imersão na internet, por exemplo, nos torna mais receptivos ao que é instintivo e pessoal, ao que nos emociona, deixando de lado o que é mais prático, uniforme e racional.

O resultado desse mergulho ao passado é bastante contemporâneo já que, apesar de reeditarem as elaboradas técnicas de alto artesanato, modelagem e costura, os estilistas também fizeram uso de revolucionárias ideias e matérias primas customizadas. Os primeiros sinais da neonostalgia puderam ser notados no line up elegante e luxuoso – e de surpreendente sobriedade – do desfile de verão de Alexandre Herchcovitch em junho passado, em São Paulo. Um olhar mais cuidadoso, entretanto, revela o lado provocante da coleção. Com vestidos construídos no brocado, nas organzas e no cetim de seda, num mix vintage e ao mesmo tempo atual, Herchcovitch escancara – num deslocamento de valores e num interessante exercício de inside out – todos os elementos que, na modelagem conservadora dos anos 1940/50, se escondiam sob a superfície. Pences, dobraduras, pregas, faixas e palas usadas internamente na época para modelar o corpo – e até tornar mais discreta a curvatura dos seios – são interpretados como adornos, aparecendo à luz do dia em complexa e crua harmonia para revelar uma linguagem utilitária e fetichista de originalidade singular. “Tive vontade de fazer roupa como antigamente, mergulhando no que era a construção camuflada da roupa”, disse Herchcovitch ao explicar a ironia de como a oculta técnica de arquitetura da roupa no passado adquire, no presente, status de adereço exposto, aproximando-se curiosamente ao que se tornou acabamento comum em roupas do streetwear contemporâneo.

Numa coincidência de tema e até de gama de cores, a coleção da Prada também explorou a middle-century nostalgia. Miuccia levou ao extremo as contradições entre kitsch e chique. Ela provocou choque intencional na altiva elegância retrô característica da Prada com a força provocante do que, nos anos 50 americanos, era considerado “cafona”. Com a desculpa de querer interpretar o que é “feminino” na linguagem atual, ironizou e lançou mão do “agradável-que-não-reclama-raciocínio”. Isso em maiôs de pin-up de cetim rebordado, vestidos, casacos e mantôs de “empetecação” luzidia, como o vistoso e sexy espalhafato de vestimentas destrippers de filmes B. Cereja do bolo, turbinou os looks com as cores vivas e chamativas dos plásticos e fórmicas da decoração típica dos diners de beira de estrada, além da iconografia transgressora de hot rods (os carros bizarros modificados com pinturas de flamas). O resultado é dos mais bem-sucedidos dos últimos tempos, apesar de sua extravagância nos calçados, saias e bolsas com aplicações figurativas do universo automotivo, estética pop inovadora e que, numa aparente contradição com o bom gosto tradicional, é calculadamente acessível.

Mergulhado no entusiasmo do momento pré-olímpico londrino, o desfile de Christopher Kane, com a modernidade de sua atitude athletic chic e imagem ultra-atual, foi citado como o melhor de Londres. O mix dos opostos deu as cartas mais uma vez, com resultado devastador. A velocidade parecia ser a força motora da apresentação e também a inspiração da silhueta geométrica e aerodinâmica, graças a competentes e articuladas dobraduras origami. Entretanto, o romantismo nostálgico do universo adolescente - com seus diários e scrapbooks recheados de adesivos e sonhos – foi quem teve maior ascendência no desfile. Esse romantismo de outrora inspirou tanto as cores refrescantes quanto a sequência de roupas feitas de organza tecnológica com 70% de alumínio, que, em diversas e impalpáveis camadas, aprisionavam uma multidão de flores plastificadas de colorido intenso, além de saias, vestidos e casacos bem curtos, feitos de tecidos brocados (reproduzindo papel de parede envelhecido e rasgado), definindo um luxo paradoxal, contemporâneo e discreto.

Last but not least, a coleção de Marc Jacobs para a Louis Vuitton foi um autêntico depoimento, expondo a nostalgia do impecável know-how da “idade de ouro” da alta-costura parisiense. Provou ser possível estar na vanguarda – exprimindo uma irônica interpretação da feminilidade exagerada que se alastrou nas passarelas – e, ao mesmo tempo, criar uma refrescante maneira de vestir, de delicada fragilidade. Com impecável perícia na modelagem, silhueta abreviada de óbvia riqueza e leveza, além da sensualidade de organzas, “bordado inglês”, faille perfurado e plumas, é altamente influente e desejável. Nada melhor para matar a saudade das coisas boas que queremos viver de novo.

Foto 1: Para a Louis Vuitton, Marc Jacobs resgatou o impecável know-how da alta-costura parisiense e provou ser possível estar na vanguarda mesmo quando se olha para o passado.
Foto 2/3: O romantismo nostálgico do universo adolescente – com seus diários e scrapbooks recheados de adesivos e sonhos – foi o principal destaque do desfile de Chris Kane.
Foto 4/5/6: Miuccia Prada levou ao extremo as contradições entre kitsch e chique. Cereja do bolo, turbinou os looks com as cores vivas e chamativas dos plásticos e fórmicas da decoração típica dos diners de beira de estrada.
Foto 7: Numa atitude ousada, Alexandre Herchcovitch escancara elementos que, na modelagem conservadora dos anos 1940/50, se escondiam sob a superfície, tais como pences, faixas e palas.

Revista Vogue Brasil nº 400 – dezembro 2011 - Glamour em Foco

Costanza Pascolato
Costanza Pascolato
04/novembro/2011

LUXO SUBMARINO

Leveza, luminosidade e otimismo definem as melhores coleções francesas para o verão 2012. No corte, na modelagem e no luxo dos detalhes e dos tecidos, também fica evidente a retomada do ofício refinado do alto artesanato, que confere um ar couture ao prêt-à-porter desfilado mês passado em Paris. Em rara coincidência, três marcas icônicas – Chanel, Givenchy e Alexander McQueen – optaram pelo mesmo tema: o mundo submarino. O que poderia ser um problema revelou resultados deslumbrantes, evidenciando a criatividade e o talento desses estilistas e de suas formidáveis equipes, que apostaram na qualidade para conquistar novas fronteiras.

Na Chanel, Karl Lagerfeld se superou. Além da habilidade para manter a maison no topo há 28 anos, nesta temporada ele conseguiu imprimir novo frescor ao estilo da lendária Mademoiselle. No Grand Palais, invocou um mágico mundo subaquático, transportando sua audiência à deriva, num soberbo e translúcido cenário totalmente branco, com algas, conchas, cavalos-marinhos e ramos de coral sobre um arenoso solo marítimo. O desfile revelou uma nova pureza nas silhuetas de peças ícones, agora com impressionante modernidade gráfica de qualidade duradoura, como se as modelos fossem criaturas do oceano, moldadas pelas águas e marés ao longo do tempo. Ao som da versão tecno de “Cavalgada das Walquirias”, de Richard Wagner, elas vagavam pela teatral configuração parecendo mágicas sereias, com as pérolas-símbolo da marca dispersas em românticos piercings sobre o rosto, corpo e em arranjos nos cabelos. Como disse Suzy Menkes, Lagerfeld conseguiu, com seu excepcional desfile, mudar de conservador para esportivo o estilo da maison, que permanece irrefutavelmente Chanel.

De maneira totalmente diferente, Riccardo Tisci também mergulhou nas profundezas do mar para elaborar o seu já reconhecível e bem-sucedido estilo sexy chic na Givenchy. Para isso, chamou tops mais experientes e de incontestável sedução pessoal como Gisele, Karolina Kurkova, Frankie Ryder, Erin Wasson e Mariacarla Boscono. Natalia Vodianova abriu o desfile – com o tema que Tisci descreveu como “um mix entre surfista e sereia” – usando um conjunto de crepe rosa madrepérola de calças justas como as de mergulho, combinada com camisa unissex abotoada até o pescoço e colete-blazer sem mangas. O megadente de tubarão que faz as vezes de pingente tem tudo para ser hit da estação, assim como as exóticas e finíssimas peles de enguia, leão-marinho e arraia que compõem os looks. Notáveis os vestidos brancos articulados como crustáceos e as novas jaquetas com uma cascata de babados irregulares na cintura – o onipresente peplum – que, com seus movimentos ondulares, sugerem as barbatanas dos tubarões. A coleção tem equilibrada feminilidade, com toque de refinado streetwear no mix, e confirma o sucesso da exuberante alfaiataria do designer. 

Se as modelos de Lagerfeld eram ninfas e as de Tisci, serias-surfistas, as de Sarah Burton, em seu terceiro desfile para a Alexander McQueen depois do desaparecimento de seu criador, foram deusas do mar. Corajosamente, Burton confirma seu talento com roupas de arquitetura rebuscada com o mesmo tema explorado por McQueen em seu último desfile para o verão de 2010,  A Atlântida de Platão, quando criou as inesquecíveis mulheres/anfíbios com pés de crustáceos. Com uma percepção mais leve e feminina das roupas, sem abandonar o luxo teatral e a silhueta clássica de seu mentor, Burton consegue imagens sedutoras ostentando trabalho de grande perícia artesanal, com alusões a conchas, coral, águas-vivas e escamas de peixe, em looks de grande beleza sem ambiguidades. Nesta temporada, o mundo oceânico veio à tona para mostrar a qualidade e os códigos personalíssimos dos grandes talentos de hoje.

Foto 1: Ao som da versão tecno de “Cavalgada das Walquirias”, de Wagner, as modelos da Chanel vagavam pelo soberbo cenário marítimo montado no Grand Palais.
Foto 2: Chanel.
Foto 3: Alexander McQueen.
Foto 4: Givenchy.
Foto 5/6: Jaquetas com uma cascata de babados irregulares na cintura que sugerem nadadeiras e um megadente de tubarão que faz as vezes de pingente são as estrelas do desfile da Givenchy.

Revista Vogue Brasil nº 399 – novembro 2011 - Glamour em Foco

Costanza Pascolato
Costanza Pascolato
07/outubro/2011

O ÚLTIMO REVIVAL

As coleções resort (que chegam às lojas a partir deste mês) e os desfiles para o próximo verão americano sugerem um revival dos anos 90. Década plural, de difícil identificação, ela comparece, pelas mãos de estilistas de ponta, em looks propostos como uma imensa fusão, amálgama interativa de elementos que marcaram os mais memoráveis – e diversos – estilos da época, os mais interessantes deles garimpados do showbiz e do streetwear chic, atlético e utilitário.

Última década do segundo milênio, os anos 90 testemunharam a alvorada da revolução da web. Significava, naquele momento, comunicar-se com grande liberdade e ter acesso imediato à imensa profusão de informação, conhecimento e entretenimento. Foi o início da era da personalização. Você mesmo faz seu conteúdo, na “rede” e na roupa. Os shapes do resort 2012 espelham essa atitude: há, num mesmo visual, uma quantidade tão variada de influências quanto a década que os inspira. Na apresentação da Prada, por exemplo, não passou despercebida a influência do rebuscamento ladylike com twist, marca registrada de Miuccia e de grande evidência em 1990. Até mesmo a hoje icônica estampa de “boquinhas” estava lá, em versão miniatura, em roupas e bolsas. Mas, se as poses comportadinhas das modelos, sentadas nas clássicas e elegantes cadeiras vintage de Charles Eames, lembram vagamente o jeitinho de As Patricinhas de Beverly Hills (de 1995), o acessório presente em todas as produções é o beanie, boné desabado na nuca que lembra uma touca e que nunca deixava a cabeça do bacanérrimo e inquietante Johnny Depp, quando ele foi o melhor acessório de Kate Moss na mesma década. Se os escarpins clássicos, com ausência total de plataformas, surpreenderam, o cardigã de textura rústica (como o que Kurt Cobain usou para gravar seu MTV Unplugged em 1993) combinado ao jeans de cintura alta (e que fazia furor na época) passou quase despercebido.

Em oposição radical ao clima anos 40 de old Hollywood deste inverno, a Miu Miu traz para seu resort uma versão dos excessos do início da “era hipermídia” de 90, com uma imoderada quantidade de bijoux e depoimentos extravagantes nas roupas: transparência radical da renda, brincos e estampas de influência pós-moderna da escola Memphis de design, amplas e barrocas saias balão em tafetá.

Em outra pegada, as cores elétricas e a megaestrutura da jaqueta de mangas curtas de Alexander Wang são inspiradas nas roupas das girls bands de R&B e hip-hop como o TLC (de 1992) e na atitude bad ass de suas integrantes, que abriram o desfile cruise de Alexander Wang. Reinterpretações de hits superpopulares da década – como os shorts de cetim, o collant, a calça de cetim active combinada a blazer andrógino e o colete utilitário de megabolsos com toque couture – estavam todas lá, atraentes candidatas a “quero já”. É o novo athletic chic, umsportswear utilitário que também despontou nas recém-desfiladas coleções para o verão 2012 em Nova York. Quem apostou nesse estilo? Wang, de 27 anos, mais uma vez, e o novo wonder boy Joseph Altuzarra, 28, que, com sua sensibilidade ultrafeminina, reinterpretou de maneira tecno-kitsch o clima das imagens fortes que Helmut Lang criou em 1999. 

Depois do grande sucesso por volta de 1993, o vestido-camisão agora reaparece triunfante, tendo sido uma das peças mais vendidas da coleção resort do novo astro do prêt-à-porter com ares decouture, Guillaume Henry, de 31 anos, diretor criativo da marca francesa Carven. Colarinho abotoado alto – como é tendência agora –, o camisão da dupla Jack McCollough e Lazaro Hernandez, da Proenza Schouler, mostra as pernas no recorte lateral arredondado de maneira elegante.

Em Londres, Christopher Kane, designer de vanguarda, também interpretou as cores e os brilhos da época com entusiasmo. Suas estampas revivem o clima raver cheio de amor pra dardahouse music que imprimiu marca indelével nos 90. O minivestido de renda cintilante sobre um arco-íris de cores flúo; os shorts de prata com efeito liquid sky; e os tons ácidos em atitude menino-menina atestam a volta do tecno-thriller à moda.

Esses jovens estilistas – assim como os assistentes de Miuccia Prada – fazem parte dos novos talentos do milênio nascidos na década de 80, com comentários culturais e formas de interpretar as roupas bem atuais. Representam uma geração que, adepta da linguagem da internet, exibe consciência coletiva, mais plural, que se reconhece até nas diferenças. Estão no topo da pirâmide da influência e, com seu rigor e qualidade, influenciam a muitos, de qualquer idade. Afinal, hoje, queremos todos ser jovens!

Foto 1: As estampas de Christopher Kane revivem o clima raver cheio de amor para dar da house music que imprimiu marca indelével nos 90. O arco-íris de cores flúo em atitude menino-menina atesta a volta do tecno-thriller à moda.
Foto 2: A atitude comportada das modelos na apresentação da Prada...
Foto 3: ...o que contrasta com o beanie, boné desabado que Johnny Deep usava nos 90.
Foto 4: O novo athletic chic de Alexander Wang. 
Foto 5: Joseph Altuzarra reinterpreta Helmut Lang segundo um olhar tecno-kitsch.

Revista Vogue Brasil nº 398 – outubro 2011 - Glamour em Foco

Costanza Pascolato
Costanza Pascolato
02/setembro/2011

SLOW FASHION

Em tempos fast, quando somos invadidos por imagens e fatos agressivos de todo gênero a todo instante, a moda faz do slow chic uma alternativa elegante e refinada de lifestyle. Com o guia La Parisienne, best-seller na França e nos Estados Unidos, Inès de La Fressange não só confirma essa nova tendência – que a exemplo do movimento gastronômico Slow Food é para quem entende e pode – como passa a ser referência, sobretudo na arte de viver, ao desfilar suas dicas estilo, beleza e decoração, além de fantásticos endereços.

A origem do slow chic é parisiense, enquanto o Slow Food nasceu na Itália. Mas, ainda que a “parisiense perfeita” seja uma ilusão, aprender a se tornar uma é negócio sério, que data de muitos séculos. Assim, com o livro lançado no ano passado e que já vendeu mais de 100 mil cópias em francês, La Fressange, 54 anos, ex-modelo de passarela, musa da Chanel 20 anos atrás, atual “rosto” da L’Oréal, mulher de negócios, consultora de imagem da Roger Vivier (do grupo Tod’s), designer e filha de marquês com uma Légion d’Honneur no  currículo, oferece novas dicas astutas de como agir tal qual uma verdadeira parisiense.

Ser parisiense, ela assegura, vai bem além dos códigos de como se vestir. É, antes de tudo, um estado de espírito, um sentido de liberdade. É fazer um mélange de épocas, de gente, de modas. A parisiense não é uma fashion victim. Ao contrário, ela não é vítima de nada, sendo ao mesmo tempo insolente, frívola e profunda. Um mix de Brigitte Bardot com Simone de Beauvoir. “No meu guia, não quis ditar regras, mas dar conselhos. Por exemplo, não ficar bloqueada nos 30 anos quando se tem 50”, ensina La Frressange. Nada mais slow que viver de acordo com a própria idade.

De belo formato à la “Moleskine gigante”, capa vermelho-Ming com jeito de scrapbook, a nova minibíblia de estilo de Inès de La Fressagenge, co-escrita por Sophie Gachet, é a melhor que já li do gênero. Ilustrada com desenhos da própria Inès e tendo como modelo, nas fotos, sua filha Nine, que parece Inès quando começou a carreira aos 17 anos, o guia é divertido e levemente esnobe, o que não faz mal nenhum no manual do slow fashion. Seu DNA baseia-se em seis pontos que La Fressange descreve com segurança. 1) Evite o total look. Quem souber misturar estilos e grifes ganha nota dez. Usar, por exemplo, uma it bag de ontem com um clássico e bom pulôver de cashmere denota muito mais talento que copiar, literalmente, os looks dos últimos desfiles. 2) A parisiense Rive Gauche é a antibling. Não parecer rica é o truque. Joias que brilham muito e logos não fazem seu gênero. Ela exige, antes de tudo, qualidade. 3) A parisiense adora descobrir novas grifes. Sobretudo se são criativas e acessíveis. Seu guarda-roupa se compõe habilmente de algumas “pechinchas”, de roupas originais compradas em viagens e de algumas peças de luxo. Ela não é da espécie que gasta todo seu salário para adquirir um must have caro, muito menos se estiver na lista de espera (“so vulgaire”, ela diria). Primeiro porque não tem meios, mas sobretudo porque ela acha que possui tanto talento quanto uma stylist – para que então desembolsar muito dinheiro por uma roupa que ela mesma poderia ter imaginado? Inès conta que a parisiense tem a arrogância de acreditar que não será jamais démodée. Ignora a moda, mas usa sempre um pequeno detalhe que demonstra o seu domínio das tendências. É o que faz seu charme. 4) Você nunca ouvirá uma parisiense reclamar que está com salto alto demais, com a saia curta, que seu vestido está justo. “O segredo do estilo é sentir-se bem na roupa.” Elas conhecem o próprio corpo, sabem o que lhes cai bem e o que corresponde à sua maneira de viver. 5) A parisiense ignora ídolos. Cada uma encarna seu próprio ícone de estilo. Admiram Jane Birkin e Charlotte Gainsbourg, que sempre conseguem o ambicionado look descolado, mas também podem ter como modelo uma amiga anônima. Seu ícone de moda não é necessariamente conhecido – aliás, quanto mais desconhecido, melhor. 6) A parisiense desconfia do “bom gosto”. Quem haveria de pensar que preto e marinho são cores que combinam entre si? Antes de Yves Saint Laurent, ninguém havia ousado o mix. Hoje esse duo faz sucesso nos ambientes em que a elegância é rainha. “É bom emancipar o gosto e aprender a tomar liberdades com as regras de moda. Inclusive das contidas neste guia”, adverte ela.

Slow chicdemais. É por tudo isso que, parafraseando Chanel, “as modas passam, e Inès permanece”.

Foto 1: Inès, na elegante escadaria do apartamento em Paris, onde vive com as duas filhas, Nine e Violette.
Foto 2: Na sala, savoir-faire e simplicidade.
Foto 3/4/5: Nine D'Urso de la Fressange, de 17 anos, parece-se com a mãe e posou com exclusividade para o guia, interpretando o estilo da perfeita parisiense.
Foto 6: Na capa da Madame Figaro, sem roupa aos 53 anos.
Foto 7: No último Festival de Cannes, usando Chanel Couture.
Foto 8: Com Carven, combinados com modelos Roger Vivier sem salto.

Revista Vogue Brasil nº 397 – setembro 2011 - Glamour em Foco

Costanza Pascolato
Costanza Pascolato
19/agosto/2011

FRENTE & VERSO

Os desfiles da alta-costura da recente temporada parisiense mostraram que algumas maisons francesas ainda praticam de maneira extraordinária e brilhante o alto ofício de um métier sem igual. Paradoxalmente, essas grifes e seus shows de couturetambém estabelecem um novo conceito do que é realmente moderno e relevante hoje. A verdadeira elegância está mais contida – com mais refinamento, graça e frescor – e vai na contramão da ostentação para determinar o novo “grande luxo” que, por ser raro e sutil, é essencialmente subversivo.

Alaïa, Valentino e Givenchy foram os assuntos que prevaleceram em todas as conversas. Após oito anos de ausência, Alaïa desfilou toda sua expertise, qualidade e a sofisticação autoral que tem aperfeiçoado durante sua carreira admirável. Resgatado à força dos bastidores pelo ministro da Cultura francês, Frédéric Mitterrand, o tímido Azzedine foi aplaudido de pé por dez minutos ao fim da apresentação. Fato absolutamente inédito. Na coleção, nota-se o foco rigidamente editado de um punhado de ideias que sempre foram suas e uma obsessiva atenção aos detalhes. Alaïa é conhecido também pela apreciação que tem pelo trabalho de Mme. Grès, chegando a emprestar, por exemplo, muitos vestidos de sua coleção particular para a deslumbrante exposição sobre a estilista atualmente em cartaz no Musée Bourdelle. Grès e Alaïa compartilham a mesma paixão pelo aperfeiçoamento das silhuetas – rigorosas e nítidas – e pela meticulosa qualidade. Assim, o trabalho de ambos tem uma incrível e misteriosa atemporalidade.

Na Valentino, Maria Grazia Chiuri e Pier Paolo Piccioli continuam fazendo um barulho danado. Desde 2008 no comando criativo da lendária maison, eles conseguiram, apesar das críticas, resgatar todos os elementos do DNA precioso e tradicional de Valentino – a feminilidade, a renda, a alfaiataria impecável. A dupla reflete de maneira delicada e muito bem definida a imagem das jovens mulheres que são as atuais herdeiras do estilo Valentino. Piccioli explicou o sentido que ele e Maria Grazia tentam expressar. “É graça e elegância que buscamos. Não são palavras muito usadas hoje em dia, mas pensamos que se vestir assim é de certa forma uma subversão, evocando um sentido de luxo e privilégio que não tem nada a ver com ostentação e alarde”, declarou. Nesta estação, a coleção de alta-costura da maison foi inspirada nos aristocráticos e elegantes refugiados que vieram da Rússia para Paris após a revolução, principalmente o príncipe Felix Yusupov e sua bela mulher, a princesa Irina Romanov, sobrinha do czar Nicolau II. A pureza e a simplicidade das formas contrastam com os majestosos tecidos e bordados que demandam centenas de horas de execução. A modernidade está no mix.

Conhecido como o príncipe darkda moda, Riccardo Tisci também citou “pura costura” como o tema-chave de sua contida e sublime coleção para a Givenchy, na qual os ateliês da marca trabalharam durante seis meses. “Pura, suave e frágil. Um sonho romântico”, definiu Tisci.  A coleção, toda branca de formas simplificadas – algumas resgatadas do sportswear–, tem a incrível beleza dos detalhes e a notável perfeição ressuscitada de outros tempos. “Procurei a luz na escuridão”, disse de suas requintadas roupas ultratrabalhadas que, como toda peça de couture, merecem ser vistas em 360°. Afinal, trata-se do ponto mais sofisticado do negócio da moda. Até Bernard Arnault, o mentor do luxo extravagante, após a morna recepção da coleção Christian Dior, em que faltou sutileza e virtuosismo para representar a locomotiva conceitual da marca, disse o seguinte: “São tempos de mudança. As palavras de ordem são: intimidade, habilidade e resgate da sofisticação de outros tempos”.

Revista Vogue Brasil nº 396 – agosto 2011 - Glamour em Foco

Costanza Pascolato
Costanza Pascolato
01/julho/2011

A idade da elegância

Mostras extraordinárias como a que está em cartaz no Musée Bourdelle, em Paris, que apresenta até 28 de agosto uma exposição deslumbrante dedicada a Mme. Grès (1903-1993), costumam ser uma fonte incomparável de inspiração para designers, em especial num momento em que a moda precisa, além de surpreender, provocar imediato desejo de consumo. Paradoxalmente, ela também deve ser facilmente compreendida para conquistar os novos mercados. Tudo isso sem jamais perder a categoria nem a consistência, sem abrir mão de talento e inovação para continuar agradando à imprensa especializada, outra força que pressiona os estilistas. Haja criatividade! Até porque tudo parece já ter sido inventado no guarda-roupa contemporâneo.

Nesse contexto, lendários nomes do passado, como Yves Saint Laurent ou Cristóbal Balenciaga, não raro se transformam em objetos de grandes retrospectivas. Sob o patrocínio da Fundação Pierre Bergé-YSL, agora é a vez de Mme. Grès, considerada por seus pares um gênio tutelar da profissão. Por intermédio do todo-poderoso Didier Grumbach, presidente da Fédération Française de la Couture, fico sabendo que o governo francês se preocupa tanto com a imagem criativa do país no mundo que incentiva diretamente as marcas tradicionais e seus novos proprietários, ajudando a concretizar essas exposições, mesmo quando se trata de um talento espanhol como Balenciaga. São eventos fundamentais tanto para a alta moda parisiense quanto para a general knowledge de qualquer cidadão global. Memória pouca é bobagem.

Mme. Grès – cujo verdadeiro nome era Germaine Krebs – nunca escondeu que queria ser escultora: “Para mim é a mesma coisa trabalhar tecido ou pedra”. Sua busca e obra percorreram 50 anos. Durante a investigação, se deteve maravilhada diante da estatuaria helenística e das culturas orientais, chegando até o minimalismo modernista intransigente, do qual foi precursora na moda. Na exposição do Musée Bourdelle, as roupas esculpidas de Grès são apresentadas acompanhadas de esculturas, numa montagem sublime. Sintetizando a sua obra, alguém disse nos anos 80 que “ela é a encarnação da grande tradição da elegância francesa, quase convencional, uma forma de classicismo inevitável e ao mesmo tempo imperdível. Seu trabalho tem a qualidade de conter em si a semente de todas as revoluções de moda que ainda vão acontecer”.

Precursora do japonismo (Yohji Yamamoto fez uma homenagem a ela com esplêndido vestido de jérsei vermelho que foi exposto recentemente no Victoria and Albert Museum, em Londres) e do desconstrutivismo belga, Mme. Grès também antecipou o minimalismo, que agora seduz as marcas de elite. Mais conhecida por seu trabalho nos anos 30, sua obra, plástica e escultural, enfatiza o glamour reservado da sofisticada idade da elegância de ontem. Sem reproduções literais, algumas coleções para o próximo inverno europeu refletem a primorosa saudade dos costumes daqueles tempos. Elas capturam uma emoção e discreto distanciamento, que vai bem além das roupas. Note a atitude – cabelos, make, cores, maneira de carregar a bolsa – e as roupas pseudoclássicas flagradas no backstage da Prada. É o passado com o olhar de hoje.

O mesmo vale para o fantástico trançado da bolsa de couro que Nicolas Ghesquière criou para a Balenciaga, inspirado no drapeado-trançado típico de Mme. Grès, originalmente apresentado em um dos seus históricos vestidos-coluna. O movimento de recortes da saia de outro desses vestidos serviu de referência para uma rigorosa e minimalista saia esculpida em lã pesada pela estilista de vanguarda sueca Ann-Sofie Back.

Lembrança de figurino hollywoodiano, um outro acessório inventado por Miuccia Prada, agora para a Miu Miu, enfatiza os quadris, equilibrando a largura dos ombros aumentados no estilo Joan Crawford. Finalmente, olhando imagens de alta-costura da fotógrafa Louise Dahl-Wolfe em estações de esqui chiques dos anos 50, Raf Simons criou roupas para a Jil Sander entre a couture e o esporte, com requinte e modernidade. Todos esses trabalhos, delicada ourivesaria sutilmente sintonizada, são o testemunho de que, assim como na ciência e na filosofia, elegância significa uma economia teórica: o que é menos – e primorosamente pensado e feito – é realmente mais.

Revista Vogue Brasil nº 395 – julho 2011 - Glamour em Foco

Costanza Pascolato
Costanza Pascolato
31/maio/2011

TEM PRA TODAS

Com texturas incríveis, silhuetas rigorosas e efeitos surpreendentes como o do python em cores nada convencionais, o próximo inverno europeu traz uma moda opulenta, que vai do soft grunge ao supersexy.

Depois do verão de influências escapistas, sob a aura dos anos 70, vibrante e romântica, uma moda mais opulenta, apesar de rigorosa nas linhas – e, de certa forma, mais habillée – dá o tom do próximo inverno no Hemisfério Norte. Veludos de texturas incríveis, ricos jacquards e brocados, brilhos sedosos, luxuosos angorás, couros deslumbrantes, muitas peles e o python em cores anticonvencionais – nova febre fashion – vêm por aí numa sucessão de silhuetas cativantes, em que as proporções e os comprimentos ganham importância e novo destaque.

Os ombros arredondados e a silhueta oval e curta (dois ou três dedos acima dos joelhos), inspirada no estilo de Cristobal Balenciaga nos anos 1950/60, são as propostas mais vanguardistas. Aparecem interpretadas de maneira radical por Raf Simons para Jil Sander e no exercício de linhas geométricas da Prada, que também apresentou saias retas e trapézio com cintura mais caída nos quadris, o que certamente trará de volta saias e calças de cós baixo. De maneira mais ou menos suave, a linha arredondada dos ombros está em quase todo bom desenho das principais capitais lançadoras do planeta.

O novo curto é representado também pela opção – mais fácil de usar – da abreviada forma dos vestidos secos do futurismo modernista de 1960. Giambattista Valli ousou e acertou, investindo em bem-sucedidas bainhas um palmo mais curtas. Se você não ama mínis, a dica é investir no novo comprimento lady like, bem poucos centímetros acima do joelho, com recortes que dão ao corpo a linha ampulheta, tanto nos vestidos quanto nos tailleurs e casacos. O exemplo mais marcante é o da Miu Miu, que trouxe de volta a silhueta glamorosa dos anos de ouro de Hollywood, com ombros majestosos e cintura marcada, como os figurinos inventados por Adrian para Joan Crawford em Mildred Pierce, de 1945, hoje interpretada por Kate Winslet no belo seriado do mesmo nome, da HBO. Esse comprimento meio esnobe – nem lá nem cá – foi muito bem colocado por Christopher Kane, que vestiu Alexa Chung para a noite de gala do Costume Institute, para a abertura da exposição Savage Beauty, de Alexander McQueen, no Metropolitan Museum de Nova York, com vestido que conseguiu ser ao mesmo tempo tradicional e revolucionário. Os paetês delicados, a transparência competente e os detalhes decorativos ondulantes de plástico recheados de líquido colorido – que se move ao toque –, conferiram um ar de luxo despojado (que adoro) à garota, certamente uma das mais bem vestidas da ala de celebridades.

As aficionadas pelo longo para o dia têm duas opções bem bacanas: o lânguido/elegante como o da The Row, das irmãs Olsen, ou o look de espírito gentilmente rebelde do novo grunge, que nada mais é que a arte sutil de sobrepor peças. O vestido de longa saia drasticamente assimétrica (onipresente nas passarelas) sobre outra, vaporosa, de chiffon estampada, dá o tom soft grunge . Por isso, aprenda já a dominar a irretocável arte da sobreposição para arrasar na próxima temporada.

Os efeitos de color blocking do verão aparecem em novas combinações, como na versão ferrugem e magenta inesperadamente associada ao branco na Bottega Veneta. O branco de inverno, aliás, se destaca poderoso em total look e é ponta de lança de soberbos pastéis (cinza-geleira, verde-menta desmaiado, rosa-blush).

Capítulo importante em Paris toma forma no college suntuoso inventado por Riccardo Tisci para a Givenchy. Ensaiando uma volta poderosa do blusão esportivo com mangas raglã, contrastantes em materiais luxuosos, arremates em malha canelada e zíper, o amplo pulôver e a camisa masculina vêm ricamente bordados. E, finalmente, ninguém melhor do que Peter Dundas, designer da Emilio Pucci, para fazer você abraçar a causa supersexy com categoria. Não é à toa que em sua passarela brilharam tops brasileiras como Alessandra Ambrósio e a lindamente irrepreensível Isabeli Fontana. Jogue-se!

 

Revista Vogue Brasil nº 394 – junho 2011 - Glamour em Foco

Costanza Pascolato
 

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